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Outubro Rosa: cinco coisas difíceis que aprendi com o câncer de mama

há 14 horas
4 min de leitura

Estamos no Outubro Rosa e, como muitos sabem, eu tive câncer de mama. Hoje estou em remissão.


Eu adoro o Outubro Rosa. Acho lindas as campanhas, as corridas com tantas pessoas

vestidas de rosa e as organizações mobilizadas para falar sobre conscientização. Me emociono com essas iniciativas porque sei o quanto essa mobilização importa.


Mas também acho que precisamos conversar sobre algumas questões que ficam menos visíveis durante esse período.


Resolvi compartilhar cinco coisas da minha experiência. Algumas podem ajudar outras mulheres a fazer perguntas importantes durante o acompanhamento médico. A última é especialmente direcionada às organizações e às lideranças.


1. Não espere ter um problema para começar a cuidar da saúde das mamas


Eu já acompanhava um nódulo considerado benigno. De um ano para o outro, veio o diagnóstico de câncer de mama.


O tumor tinha apenas 0,8 centímetro.


Pensem no tamanho disso.


O acompanhamento foi fundamental para identificar aquela alteração. E essa experiência mudou completamente a forma como vejo os exames preventivos.

Por isso, meu recado para as mulheres, inclusive as mais jovens, é que conversem com seus médicos sobre quando começar o acompanhamento e quais exames são indicados para cada situação.


Existem recomendações diferentes sobre a idade de início da mamografia, mas uma coisa merece atenção: alterações suspeitas precisam ser investigadas, independentemente da idade.


Eu tive a oportunidade de identificar meu câncer quando ele ainda era muito pequeno. Sei o quanto isso fez diferença na minha história.


2. Se precisar, procure uma segunda opinião médica


Quando recebemos um diagnóstico importante, entramos em contato com uma quantidade enorme de informações que nem sempre conseguimos compreender imediatamente.


São exames, procedimentos, possibilidades de tratamento e decisões que podem mudar nossa vida.


Em determinado momento, tive dúvidas sobre o procedimento indicado e procurei outros dois médicos. Ambos confirmaram a orientação inicial.

Isso me trouxe segurança.


Buscar uma segunda opinião não significa desconfiar da medicina. É uma possibilidade de compreender melhor o diagnóstico, conhecer as alternativas e participar das decisões sobre o próprio tratamento.


Eu acredito muito na ciência. E justamente por acreditar nela, considero importante fazer perguntas.


3. Um diagnóstico pode mudar com uma investigação mais aprofundada


Essa é uma das partes mais marcantes da minha história.


Recebi inicialmente o diagnóstico de um tipo de câncer muito agressivo. Já estava me preparando para iniciar a quimioterapia.


Eu pensava na queda do cabelo e em tudo o que precisaria enfrentar nos meses seguintes.


Mas meu médico Dr. Vinícius Lorandi decidiu investigar melhor.


Ele questionou o resultado e solicitou uma nova análise, dessa vez em um laboratório especializado de São Paulo.


O resultado mudou o caminho do meu tratamento.


A nova avaliação identificou características diferentes daquelas apontadas inicialmente, e a quimioterapia deixou de ser necessária no meu caso.


Imaginem o que isso representou.


Tenho uma gratidão enorme pelo médico que decidiu aprofundar a investigação antes de iniciarmos o tratamento.


É importante dizer que cada situação clínica é diferente. Nem todo diagnóstico precisa ser repetido, mas existem casos em que uma revisão especializada pode fazer diferença.


No meu, fez.


4. Ter uma vida saudável não significa estar imune ao câncer


Essa é uma questão que me incomoda bastante.


Existe uma ideia de que, se uma pessoa se alimenta bem, pratica exercícios, faz yoga e cuida da saúde, estaria protegida de determinadas doenças.


Eu mesma vivia uma fase muito dedicada a esses cuidados.


Estava fazendo uma formação em yoga, seguia uma alimentação vegana havia aproximadamente um ano e mantinha uma rotina de atividades físicas.


E tive câncer de mama.


Isso não diminui a importância dos hábitos saudáveis. Eles são fundamentais para a qualidade de vida e ajudam a reduzir o risco de diversas doenças.


Mas precisamos ter cuidado com a ideia de que conseguimos controlar completamente nossa saúde por meio das escolhas individuais.


Também fiz uma investigação genética, que não identificou predisposição hereditária nas alterações avaliadas. Foi uma informação importante para meu acompanhamento, embora não explique, por si só, por que desenvolvi a doença.


O câncer de mama envolve fatores genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais. Em muitos casos, não é possível identificar uma causa específica.

Por isso, sigo defendendo uma combinação de hábitos saudáveis, acompanhamento médico e decisões fundamentadas na ciência.


E também um pouco mais de cuidado com os julgamentos que fazemos sobre quem adoece.


5. As organizações precisam aprender a receber pessoas que passaram pelo câncer


Aqui quero falar especialmente com quem trabalha com Gestão de Pessoas e exerce posições de liderança.


O tratamento do câncer de mama pode envolver cirurgias importantes, como a mastectomia, além de reconstrução mamária, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e outros procedimentos.


A recuperação varia muito de pessoa para pessoa.


E existe algo que me preocupa: a forma como algumas organizações recebem profissionais que estão retornando ao trabalho depois do tratamento.


Já ouvi relatos de mulheres que voltaram para ambientes extremamente difíceis, inclusive com lideranças que tratavam suas necessidades de recuperação como desculpa ou fragilidade.


Isso é muito sério.


Uma pessoa pode estar em remissão, voltar a trabalhar, participar de reuniões, cumprir suas responsabilidades e continuar enfrentando consequências físicas e emocionais do tratamento.


Nem sempre essas consequências são visíveis.


E não existe um prazo universal para que alguém esteja completamente recuperado.


As organizações precisam compreender que o retorno ao trabalho também faz parte desse processo. É necessário conversar com a pessoa, respeitar orientações médicas, avaliar adaptações e construir condições adequadas para que ela retome suas atividades.


Isso também envolve a cultura organizacional.



A conscientização também precisa aparecer na maneira como tratamos as pessoas.


O que eu gostaria que permanecesse depois de outubro


Eu continuo gostando das campanhas, das roupas rosas e das iniciativas de conscientização.


Mas gostaria que essa mobilização também ajudasse a ampliar conversas que nem sempre são confortáveis.


Sobre diagnóstico, acesso a especialistas, acompanhamento médico e os limites do nosso controle sobre a saúde.


E, principalmente, sobre o que acontece depois que uma pessoa recebe alta de um procedimento e precisa reorganizar sua vida.


Hoje estou em remissão e sigo aprendendo com essa experiência.


Que o Outubro Rosa continue mobilizando pessoas.


E que o cuidado não termine quando outubro acabar. 🎀


 
 
 

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©2023 por Nádia Rocha

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