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Quero uma vida interessante.

Atualizado: 6 de jan.

Li uma frase de Contardo Calligaris que ficou ecoando em mim por dias:

Não quero ser feliz. Quero ter uma vida interessante.
Foto: lua cheia na Lagoa dos Patos (3/1/26)
Foto: lua cheia na Lagoa dos Patos (3/1/26)

No começo ela incomoda, afinal passamos anos ouvindo que felicidade é o grande objetivo da vida. Que precisamos buscá-la, alcançá-la, sustentá-la. Como se fosse um estado permanente, uma linha de chegada. E se não estamos felizes algo em nós falhou.


Mas quanto mais penso nisso mais essa ideia de vida interessante faz sentido para mim.


Nos últimos anos, vivi experiências que realmente não cabem na palavra felicidade. Algumas foram intensas, outras difíceis, outras simplesmente confusas. Pandemia, burn out, tratamento contra câncer de mama, fim de relacionamento, enchente, conflitos.


Houve escolhas cheias de dúvida, momentos de cansaço, quase desistências. perdas, frustrações. Nada disso foi exatamente “feliz”. Mas tudo isso foi me fez sentir VIVA!


Uma vida interessante não é confortável o tempo todo. Ela não promete um emocional constante, e nem respostas prontas! Ela exige presença, atravessar, suportar a insegurança de não saber se a escolha foi a melhor possível.


E talvez esse seja o ponto: parar de perguntar se algo vai nos fazer felizes e começar a perguntar se aquilo nos envolve, nos desafia, nos convoca a crescer.


A busca eterna pela felicidade costuma vir acompanhada de um medo enorme da dor. Como se sentir tristeza, luto ou fracasso fosse sinal de erro, como se uma vida bem vivida fosse aquela que evita o desconforto a qualquer custo.


Olho para trás e a minha experiência me ensinou o contrário: as fases mais transformadoras da minha vida não foram as mais felizes, foram as mais significativas.


Foram aquelas em que precisei me posicionar, repensar certezas,sustentar o que eu era e o que estava me tornando.


Quando penso em “vida interessante”, penso numa vida que permite sentir e presenciar. Os pequenos prazeres, sim. Mas também as grandes dores. Como eu digo:


Já que estamos aqui, vamos aproveitarr!

Uma vida em que não preciso performar felicidade o tempo inteiro, nem provar que estou bem o tempo todo. Uma vida em que posso me arriscar e estar em processo.


Talvez amadurecer seja isso: trocar a obsessão pela felicidade idealizada por uma relação mais honesta com o viver.


Hoje se me perguntassem o que eu desejo, eu não diria “quero ser feliz”.

Eu diria algo mais simples e mais arriscado:

quero uma vida que valha a pena ser vivida, com tudo o que isso inclui.


E isso já é bastante coisa!


Feliz 2026 para a gente!



Referência desses dias: Contardo Calligaris em "O sentido da vida" (2023)

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©2023 por Nádia Rocha

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